Eu sei que parece clichê. Eu sei que soa falso. Sei também que soa vazio. Mas tudo o que vou dizer é a mais pura verdade.
Durante 17 anos, minha residência mudou de endereço duas vezes. Mas a minha casa, um lugar pra chamar de lar, pra me sentir à vontade, pra ser cuidado, pra me divertir e divertir os outros, esse nunca mudou.
Estudo na mesma escola desde que nasci. Ceat. O nome ecoa em meus ouvidos como uma poesia. O castelinho de Santa Teresa. Em nenhum outro lugar me sinto tão à vontade. E o pior, é que quem não conhece acha que é exagero. Quem nunca viu como é, acha que é drama. Acha que colégio é como uma prisão, em que é obrigado a fazer coisas completamente não prazerosas e sem nenhuma utilidade. Não vive a semana, não vive a escola, e mal pode esperar pela sexta-feira à noite. Desses, o único sentimento é o mais terrível do ser humano: pena.
Na minha escola, todos têm voz. Há diálogo. E mais importante: não importa como você seja, gay, bi, gosta de rir exageradamente, feioso, errado, nerd, gordo. Você vai ser aceito.
Os professores não são como carcereiros, torturadores. Eles são seres humanos. Eles conversam, dialogam, discutem, negociam. A coordenação é acessível, igualmente. As coisas são feitas de um jeito que não prejudiquem ninguém. Elas acontecem, dão certo.
Todos esses aspectos contribuem para o sentimento que me incendeia nesse instante. Saudade. O ano ainda nem acabou, ainda não me formei, mas é como se parte de mim estivesse sendo cortada a cada dia que fica mais próxima a colação de grau. Nada será como antes. Será como se puxassem um tapete sobre o qual estou desde o início da minha existência. Tapete que amei do início ao fim, e que mesmo depois que puxem, me joguem no chão e me chamem para a realidade, eu ainda vou querer deixar pendurado, para sempre que estiver triste, olhar para ele e para suas estampas, e lembrar das melhores coisas. Meu colégio, ficará na minha memória, para sempre.
CEAT ontem, hoje e sempre.
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